Os assassinatos de um comerciante e de um amigo dele no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, que o governo do estado considera pacificado, foram determinados pelo tráfico de drogas. A pena de morte teve como justificativa um motivo absurdo: o dono de uma padaria vendeu mercadorias aos policiais da UPP da comunidade. Seu amigo foi morto em casa.
Depois dos crimes, obrigaram os comerciantes a não vender mais nada para os PMs. Os próprios policiais não recorrem mais aos estabelecimentos, para evitar novos assassinatos. O comandante da UPP do Macacos, capitão Felipe Barreto, confirma a conduta, mas nega que tenha orientado os PMs:
As mortes ainda estão impunes, já que os inquéritos não estão concluídos, apesar de todos no morro saberem quem mandou matar e o motivo. O EXTRA, além de ouvir policiais que pediram para não se identificar, teve a confirmação de moradores e comerciantes. Todos reclamam que o tráfico voltou a aterrorizar e dar as ordens, mesmo com a aparente perda do domínio territorial
.
O medo está por todos os lados. Do balcão de sua birosca, X. conversa desconfiado.
- Não podemos vender nada. Os policiais pararam de procurar a gente, graças a Deus - contou.
O primeiro morto foi o comerciante Flávio Duarte, dono de uma padaria. Depois do crime, temendo que o mesmo acontecesse a Gilmar Paiva de Campos, amigo dele, policiais da UPP tentaram tirar o segundo morador da favela. Não deu tempo. Gilmar foi a segunda vítima.
- A gente estava fazendo uma vaquinha, mas aconteceu antes - disse um PM.
O mesmo policial reconhece que a relação com os comerciantes é delicada:
- Eles não estão vendendo para a gente. Mas não queremos comprar deles para não expor essas pessoas.
O coronel Rogério Seabra não quis comentar o caso.
sospoliciaismilitares

Nenhum comentário:
Postar um comentário