Rio - Os policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar suspeitos de tortura e agressão sexual a uma moradora da Favela da Rocinha negaram as acusações durante depoimento na madrugada deste sábado. Os acusados falaram à polícia na 14ª DP (Leblon) por cerca de 8 horas.
O Tribunal de Justiça decretou, no plantão judiciário da madrugada deste sábado, a prisão temporária dos policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChq) suspeitos de tortura e agressão sexual a uma moradora da Favela da Rocinha, em São Conrado.
De acordo com a assessoria da Polícia Civil, os acusados Renan Ribeiro de Souza, Cid Lima dos Santos e Rodrigo Bernardo Gama de Almeida se apresentaram nesta madrugada na 14ª DP (Leblon) e de lá foram encaminhados ao Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica, onde ficarão presos.
Três policiais militares do BPChq são acusados de agredir sexualmente uma mulher, de 33 anos, após ela ser presa por furto na Rocinha na madrugada de quinta-feira. Segundo ela, que furtou uma bolsa e foi detida pelos PMs, os militares circularam pela favela, ameaçando-a, e acabaram castigando-a por causa do furto.
Em um local escuro, ainda na favela, teriam cometido o crime antes de levá-la para a 14ª DP (Leblon), onde ela registrou queixa. Ela está presa na Polinter. O PMs estão afastados do patrulhamento nas ruas e a prisão deles foi pedida nesta sexta-feira pela Civil.
A vítima foi encaminhada ao Instituto Médico-Legal, que constatou violência sexual. Muito assustada, ela se recusou a fazer reconhecimento dos policiais pessoalmente. O delegado titular da 14ª DP, Gilberto Ribeiro, solicitou então as fotografias dos quatro militares acusados, o que, segundo a Corregedoria Geral Unificada, que acompanha o caso, foram entregues. A mulher reconheceu os supostos agressores pelas fotos.
Os quatro PMs se apresentaram ainda na quinta-feira à delegacia e negaram as acusações. Por volta das 22h desta sexta, eles foram levados à sede da Corregedoria da PM, que abriu procedimento, para serem ouvidos, segundo o corregedor da corporação, coronel Waldyr Soares.
A Rocinha é uma ‘pedra no sapato’ da política de pacificação do governador Sérgio Cabral. Onze pessoas foram assassinadas na comunidade desde a ocupação da PM em novembro. Um dos assassinatos foi o de Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, presidente de associação de moradores local, dia 26 de março.

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