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quarta-feira, 14 de março de 2012

Ex-policial Hércules de Araújo é condenado pelo Júri a mais de 45 anos de prisão

O ex-policial militar Hércules de Araújo Agostinho foi condenado ontem pelo Tribunal do Júri a mais 45 anos e dois meses de prisão por dois homicídios duplamente qualificados e mais uma tentativa de homicídio qualificada. Hércules já cumpre pena de mais de 117 anos de prisão por outros crimes cometidos em Mato Grosso.

 O júri foi presidido pela juíza da 1ª vara criminal Mônica Catarina Perri Siqueira. Hércules era acusado pelo Ministério Público de ter assassinado Rivelino Jacques Brunini e Fauze Rachid Jaudy. Na mesma oportunidade, ele também teria tentado matar o pintor Gisleno Fernandes.

A ideia da defesa era a de tirar a qualificadora do duplo homicídio, mas o júri entendeu que os crimes tiveram duas qualificadoras: foram realizados mediante pagamento e impossibilitando a defesa das vítimas.

Jorge Henrique Franco Godoy, advogado de defesa do ex-cabo Hércules, prometeu recorrer da decisão porque, segundo ele, as provas teriam sido obtidas por meios ilegais.

Embora tenha afirmado antes que a estratégia a ser usada no julgamento seria a de negativa de autoria do crime, Jorge Franco Godoy disse que o seu cliente já havia confessado o crime em relação a Rivelino e Gisleno, mas que não teria atirado contra Fauze Rachid.

Filho do radialista Rivelino Brunini, assassinado em 2002, o estudante de Direito, Raphael Alves Brunini, 21 anos, acompanhou, ontem, no Tribunal do Júri, em Cuiabá, o julgamento do ex-policial.

Segundo ele, a justiça foi feita em relação a Hércules, mas que espera as condenações dos demais acusados pelo crime.

“O Hércules foi só o peão do xadrez, foi só quem puxou o gatilho”, disse Raphael Alves, afirmando que está de acordo com a Justiça e o Ministério Público, que denunciou o bicheiro João Arcanjo Ribeiro como mandante da dupla execução.

Conforme o Ministério Público, Brunini era sócio da empresa Mundial Games, concessionária de máquinas caça-níqueis da organização criminosa chefiada pelo bicheiro João Arcanjo Ribeiro, que explorava com exclusividade o ramo de jogos eletrônicos em Mato Grosso.

Porém, a vítima se associou a um grupo do Rio de Janeiro, que pretendia acabar com o monopólio de Arcanjo. Por conta disso, o bicheiro teria mandado executar Brunini.

“Não era caça níquel. O negócio dele era jogo de ficha e era legalizado e funcionava com alvará”, rebateu Raphael Alves, que na época tinha apenas 11 anos. Segundo ele, Arcanjo costumava frequentar missas com Rivelino.

Segundo as investigações, enquanto Hércules efetuava os disparos, o comparsa dele, Célio Alves de Souza, dava cobertura. Pelo crime, receberiam a importância de R$ 20 mil.

“Hércules recebeu R$ 7 mil”, informou o promotor Antônio Sérgio Cordeiro. Fauze Rachid e Gisleno Fernandes teriam sido atingidos apenas por estarem na companhia de Brunini. Já o processo de Célio Alves foi desmembrado em virtude de um recurso protocolado no Tribunal de Justiça. 


extramt.com.br 

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